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IGM SUS Paulista: como as vacinas decidem o repasse do estado

Publicado em 5 min de leitura
Capa: IGM SUS Paulista, repasse estadual de São Paulo — vacinas, meta de 95% e a mediana do estado; Penta, Pólio, Pneumo e Tríplice Viral, 1,30 ponto cada

O IGM SUS Paulista é o repasse do Estado de São Paulo que paga a atenção primária do município por resultado. Metade do dinheiro de 2026 depende de pontos — e boa parte desses pontos está em quatro vacinas da criança. Este artigo explica como a nota é calculada, por que um município pode zerar uma vacina mesmo vacinando, e o que dá para fazer antes da parcela fechar.

3 parcelas por ano: maio, setembro e dezembro
5,2 pontos de 10 estão nas quatro vacinas
50% → 60% parte variável em 2026 e a partir de 2027

O que é o IGM SUS Paulista

É o Índice de Gestão Municipal do SUS Paulista, regulado pelas Deliberações CIB 24/2026 e 25/2026. O estado repassa ao município um valor por habitante, dividido em três parcelas no ano. Uma parte é fixa; a outra é variável e depende da nota do município em dez indicadores, que somam até 10 pontos. Em 2026 a parte variável é metade do repasse; a partir de 2027 passa a 60%.

Os indicadores cobrem vacinação infantil, HPV, cobertura da Estratégia Saúde da Família, sífilis na gestação, internações por condições sensíveis à atenção primária, mortalidade infantil e LIRAa, com bônus por mortalidade materna. As quatro vacinas — Pentavalente, Poliomielite, Pneumocócica e Tríplice Viral D1 — valem 1,30 ponto cada.

Como cada vacina pontua

Não basta olhar a cobertura. A nota compara dois quadrimestres e põe o município contra os outros 644 do estado:

Cobertura alta no ano passado não protege.

Um município que fechou o ano acima de 100% e começou o seguinte em 87,5% caiu — e, se a mediana do estado ficou acima disso, a vacina vale zero. O primeiro quadrimestre tem poucos nascidos no denominador: meia dúzia de crianças atrasadas muda a nota.

Quanto vale um ponto

Num município de cerca de 25 mil habitantes do interior paulista, a parcela de setembro de 2026 pagou R$ 6.279 de parte variável por ponto. Cada vacina, portanto, valia R$ 8.162,70 numa única parcela. Pentavalente, Poliomielite e Pneumocócica zeraram ao mesmo tempo: foram 3,9 pontos e R$ 24.488,10 a menos naquela parcela — com a rede vacinando normalmente.

O dinheiro não se perdeu por falta de vacina. Perdeu-se porque ninguém viu, a tempo, quantas crianças faltavam para não cair abaixo da mediana.

O que dá para fazer antes da parcela fechar

  1. Saber quantas crianças faltam. "Cobertura baixa" não orienta a equipe; "faltam 129 crianças até 31 de dezembro" orienta.
  2. Comparar o ritmo com o necessário. Se a meta pede 11 esquemas completos por semana e a rede está fazendo menos de 5, a conta não fecha sozinha.
  3. Ir atrás de nome, não de número. A criança atrasada tem mãe, telefone, endereço e unidade de referência — é isso que a busca ativa precisa.
  4. Olhar os outros indicadores com a mesma antecedência. Sífilis na gestação, cobertura da ESF e o prazo do LIRAa no Sisaweb também valem ponto e também têm data.

IGM SUS Paulista no Painel BRSUS.

Mostra, vacina por vacina, onde o município está contra a meta e a mediana do estado, a tendência da próxima parcela em pontos e em reais, quantas crianças faltam para chegar aos 95% e o ritmo semanal necessário. A busca ativa sai com nome, contato e unidade de cada criança atrasada ou prestes a vencer. Quando falta dado, o painel diz que falta — não vira zero.

Conheça o Painel BRSUS

Perguntas frequentes

O IGM SUS Paulista vale para qualquer município?

Vale para os municípios do Estado de São Paulo. É um repasse estadual, separado do cofinanciamento federal da atenção primária.

Por que a vacina zerou se a cobertura não caiu tanto?

Porque a nota depende da mediana do estado. Quem cai e fica abaixo dela leva zero, mesmo com cobertura próxima da meta.

O painel substitui o relatório oficial do estado?

Não. O relatório do estado é o que paga. O painel mostra o publicado e a projeção lado a lado, para o município agir antes de a parcela fechar.

De onde vem a lista de crianças da busca ativa?

Do PEC e-SUS do município. Ela serve para a equipe agir; a cobertura oficial continua sendo a do Ministério.

Quanto custa?

O investimento varia conforme o porte do município e os módulos contratados. Entre em contato e agende uma demonstração.