O IGM SUS Paulista é o repasse do Estado de São Paulo que paga a atenção primária do município por resultado. Metade do dinheiro de 2026 depende de pontos — e boa parte desses pontos está em quatro vacinas da criança. Este artigo explica como a nota é calculada, por que um município pode zerar uma vacina mesmo vacinando, e o que dá para fazer antes da parcela fechar.
O que é o IGM SUS Paulista
É o Índice de Gestão Municipal do SUS Paulista, regulado pelas Deliberações CIB 24/2026 e 25/2026. O estado repassa ao município um valor por habitante, dividido em três parcelas no ano. Uma parte é fixa; a outra é variável e depende da nota do município em dez indicadores, que somam até 10 pontos. Em 2026 a parte variável é metade do repasse; a partir de 2027 passa a 60%.
Os indicadores cobrem vacinação infantil, HPV, cobertura da Estratégia Saúde da Família, sífilis na gestação, internações por condições sensíveis à atenção primária, mortalidade infantil e LIRAa, com bônus por mortalidade materna. As quatro vacinas — Pentavalente, Poliomielite, Pneumocócica e Tríplice Viral D1 — valem 1,30 ponto cada.
Como cada vacina pontua
Não basta olhar a cobertura. A nota compara dois quadrimestres e põe o município contra os outros 644 do estado:
- O quadrimestre é acumulado no ano. O 1º vai de janeiro a abril, o 2º de janeiro a agosto e o 3º de janeiro a dezembro.
- Cada parcela compara um período com o anterior. A de setembro avalia janeiro–abril contra o ano anterior inteiro; a de dezembro, janeiro–agosto contra janeiro–abril.
- A meta é 95%, e a régua é a mediana do estado. Ficar acima da mediana e subir garante a nota cheia; ficar abaixo dela e cair zera a vacina.
- Subir não basta se você está abaixo da mediana. Quem melhora sem alcançá-la leva metade.
Cobertura alta no ano passado não protege.
Um município que fechou o ano acima de 100% e começou o seguinte em 87,5% caiu — e, se a mediana do estado ficou acima disso, a vacina vale zero. O primeiro quadrimestre tem poucos nascidos no denominador: meia dúzia de crianças atrasadas muda a nota.
Quanto vale um ponto
Num município de cerca de 25 mil habitantes do interior paulista, a parcela de setembro de 2026 pagou R$ 6.279 de parte variável por ponto. Cada vacina, portanto, valia R$ 8.162,70 numa única parcela. Pentavalente, Poliomielite e Pneumocócica zeraram ao mesmo tempo: foram 3,9 pontos e R$ 24.488,10 a menos naquela parcela — com a rede vacinando normalmente.
O dinheiro não se perdeu por falta de vacina. Perdeu-se porque ninguém viu, a tempo, quantas crianças faltavam para não cair abaixo da mediana.
O que dá para fazer antes da parcela fechar
- Saber quantas crianças faltam. "Cobertura baixa" não orienta a equipe; "faltam 129 crianças até 31 de dezembro" orienta.
- Comparar o ritmo com o necessário. Se a meta pede 11 esquemas completos por semana e a rede está fazendo menos de 5, a conta não fecha sozinha.
- Ir atrás de nome, não de número. A criança atrasada tem mãe, telefone, endereço e unidade de referência — é isso que a busca ativa precisa.
- Olhar os outros indicadores com a mesma antecedência. Sífilis na gestação, cobertura da ESF e o prazo do LIRAa no Sisaweb também valem ponto e também têm data.
IGM SUS Paulista no Painel BRSUS.
Mostra, vacina por vacina, onde o município está contra a meta e a mediana do estado, a tendência da próxima parcela em pontos e em reais, quantas crianças faltam para chegar aos 95% e o ritmo semanal necessário. A busca ativa sai com nome, contato e unidade de cada criança atrasada ou prestes a vencer. Quando falta dado, o painel diz que falta — não vira zero.
Conheça o Painel BRSUSPerguntas frequentes
O IGM SUS Paulista vale para qualquer município?
Vale para os municípios do Estado de São Paulo. É um repasse estadual, separado do cofinanciamento federal da atenção primária.
Por que a vacina zerou se a cobertura não caiu tanto?
Porque a nota depende da mediana do estado. Quem cai e fica abaixo dela leva zero, mesmo com cobertura próxima da meta.
O painel substitui o relatório oficial do estado?
Não. O relatório do estado é o que paga. O painel mostra o publicado e a projeção lado a lado, para o município agir antes de a parcela fechar.
De onde vem a lista de crianças da busca ativa?
Do PEC e-SUS do município. Ela serve para a equipe agir; a cobertura oficial continua sendo a do Ministério.
Quanto custa?
O investimento varia conforme o porte do município e os módulos contratados. Entre em contato e agende uma demonstração.
