Pular para o conteúdo
Faturamento

RAAS: o que é e como a produção do CAPS chega ao SIA

Publicado em 5 min de leitura
Capa: RAAS, Registro das Ações Ambulatoriais de Saúde — atenção psicossocial, do PEC e-SUS à folha por paciente e ao SIA do município

O CAPS atende todos os dias, mas o Ministério só enxerga o que chega ao SIA. É o RAAS que leva essa produção — e é ele que costuma ser montado à mão, a partir de papel, no fim do mês. Este artigo explica o que é o RAAS, como ele chega ao SIA, por que a produção registrada protege o custeio do serviço e onde o arquivo costuma voltar com erro.

1 folha por paciente, a cada competência
CNS identifica o paciente no SIA
72 CAPS tiveram o custeio suspenso em 2018 por falta de produção registrada

O que é o RAAS

RAAS é o Registro das Ações Ambulatoriais de Saúde, criado pela Portaria SAS/MS 276/2012. Hoje ele é, na prática, o instrumento da atenção psicossocial: é por ele que o CAPS informa ao SIA/SUS o que fez com cada usuário no mês — acolhimento, atendimento individual, em grupo, à família, ações no território. (A atenção domiciliar também usou o RAAS até migrar para o e-SUS AD, em 2015.)

A diferença para o BPA é a unidade de registro. O BPA conta procedimentos; o RAAS conta pessoas. Cada usuário em acompanhamento tem uma folha por competência, com o diagnóstico, a origem do encaminhamento e as ações do mês. É um retrato do cuidado, não uma soma de atendimentos.

Como o RAAS chega ao SIA

  1. O CAPS registra o atendimento. No papel, numa planilha ou no PEC e-SUS.
  2. Alguém monta as folhas do mês. No caminho tradicional, digitando no aplicativo RAAS do DATASUS tudo o que já foi anotado em outro lugar.
  3. O arquivo é importado no SIA do município, que confere contra o cadastro do CNES e o orçamento da FPO.
  4. O SIA gera a remessa que vai para o Ministério com o restante da produção ambulatorial.

O passo 2 é onde mora o retrabalho. Quando o CAPS já registra no PEC, digitar de novo no aplicativo é fazer o mesmo trabalho duas vezes — e as duas versões raramente batem.

Por que a produção registrada protege o custeio

O CAPS habilitado recebe custeio mensal do Ministério, e esse custeio depende de o serviço aparecer funcionando nos sistemas de informação. A Resolução CIT 36/2018 autorizou suspender o repasse de serviços habilitados que não apresentassem produção registrada; no mesmo ano, a Portaria 3.659 suspendeu o custeio de 72 CAPS por esse motivo.

O ponto é simples: um CAPS que atende e não informa, para o Ministério, é um CAPS parado. E folha rejeitada no SIA conta como folha que não foi enviada.

Rejeição não é só erro de digitação.

O SIA muda de versão ao longo do ano e passa a exigir o arquivo de outro jeito. Uma competência inteira pode voltar com erro de estrutura por causa da versão instalada no município — e quem olha só o relatório de rejeição conclui que o arquivo estava errado.

Onde o RAAS costuma voltar com erro

Guia gratuito: boas práticas de registro no CAPS

O arquivo só sai certo se o registro sair certo na ponta. Reunimos num guia de quatro páginas o código de cada ação do CAPS, onde registrá-la no PEC e para qual arquivo ela vai — RAAS, BPA-I ou BPA consolidado —, os códigos que não devem ser usados e um checklist para antes de finalizar o atendimento. Tem um resumo de uma página para deixar perto do computador.

Baixar o guia (PDF, 4 páginas)

RAAS direto do PEC

Num CAPS do interior paulista que digitava a produção a partir de papel, a competência de agosto de 2026 foi gerada a partir do que a equipe registrou no PEC e importada no SIA com o cadastro e o orçamento reais do município: 331 folhas gravadas, nenhuma rejeitada. A única crítica foi um procedimento que o município não havia orçado na FPO — ajuste de programação, não de arquivo.

Antes de gerar, a lista do que corrigir

O que costuma voltar do SIA aparece antes, na tela. Para o período e a unidade escolhidos, o painel mostra quantas folhas têm cada problema — CID ausente ou inválido, município ausente, CEP malformado ou inexistente na base dos Correios, raça/cor inválida, CNS ou CPF não cadastrado, profissional sem vínculo no CNES — e, em cada um, a lista dos pacientes para corrigir no PEC, exportável em Excel.

Tela RAAS Atenção Psicossocial do Painel BRSUS: parâmetros de geração com período e unidade, os botões Gerar RAAS e Gerar Inconsistências RAAS, e o resumo de inconsistências com 131 CID ausente ou inválido, 4 município ausente, 3 CEP ausente ou malformado, 4 CEP inexistente nos Correios, 1 CNS e 2 CPF não cadastrados; unidade borrada
Escolha o período e a unidade: o resumo mostra quantas folhas têm cada problema antes de gerar o arquivo.
Análise de inconsistências do RAAS no Painel BRSUS: de 217 folhas, 86 com CID válido e 131 com CID ausente ou inválido, 4 sem município, 3 com CEP ausente ou malformado e 4 com CEP inexistente na base dos Correios
A análise de inconsistências do RAAS no Painel BRSUS: o que o SIA criticaria, contado antes de gerar o arquivo.

O CID sai do próprio atendimento: da avaliação registrada ou da lista de problemas do paciente. Quando não há CID aceito, o município pode cadastrar um CID padrão por procedimento — e o painel avisa quem ficaria com o CID em branco.

Lista de pacientes com CID ausente ou inválido no RAAS do Painel BRSUS, com o motivo de cada um — CID não aceito no RAAS, CID sem subcategoria com as opções para escolher, sem CID na avaliação nem na lista de problemas — e o botão Exportar Lista (Excel); dados dos pacientes borrados
Cada problema abre a lista de quem corrigir e por quê — inclusive as opções de CID válidas para escolher.

BPA e RAAS sem digitação, no Painel BRSUS.

O painel monta o RAAS da atenção psicossocial a partir do que o CAPS registra no PEC, no padrão do SIA, pronto para importar — e aponta antes o que o SIA criticaria, paciente por paciente. O que foi atendido é o que vai para o Ministério.

Conheça o Painel BRSUS

Leia também: PEC e-SUS: o que é, como funciona e o que muda na nuvem.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre BPA e RAAS?

O BPA registra procedimentos; o RAAS registra o acompanhamento de cada usuário no mês, com diagnóstico e ações. No CAPS, as ações de atenção psicossocial vão no RAAS.

Quem precisa enviar RAAS?

Os serviços da atenção psicossocial, como os CAPS. A produção é importada no SIA do município, que gera a remessa ao Ministério.

Paciente sem CNS pode entrar no RAAS?

Não. O SIA identifica a folha pelo Cartão Nacional de Saúde. Atualizar o cadastro do usuário é o primeiro passo.

O CAPS precisa usar o PEC e-SUS?

Para o Painel BRSUS gerar o RAAS, sim: o arquivo sai do que a equipe registra no PEC. O que não for registrado lá não aparece.

Quanto custa?

O investimento varia conforme o porte do município e os módulos contratados. Entre em contato e agende uma demonstração.