O CAPS atende todos os dias, mas o Ministério só enxerga o que chega ao SIA. É o RAAS que leva essa produção — e é ele que costuma ser montado à mão, a partir de papel, no fim do mês. Este artigo explica o que é o RAAS, como ele chega ao SIA, por que a produção registrada protege o custeio do serviço e onde o arquivo costuma voltar com erro.
O que é o RAAS
RAAS é o Registro das Ações Ambulatoriais de Saúde, criado pela Portaria SAS/MS 276/2012. Hoje ele é, na prática, o instrumento da atenção psicossocial: é por ele que o CAPS informa ao SIA/SUS o que fez com cada usuário no mês — acolhimento, atendimento individual, em grupo, à família, ações no território. (A atenção domiciliar também usou o RAAS até migrar para o e-SUS AD, em 2015.)
A diferença para o BPA é a unidade de registro. O BPA conta procedimentos; o RAAS conta pessoas. Cada usuário em acompanhamento tem uma folha por competência, com o diagnóstico, a origem do encaminhamento e as ações do mês. É um retrato do cuidado, não uma soma de atendimentos.
Como o RAAS chega ao SIA
- O CAPS registra o atendimento. No papel, numa planilha ou no PEC e-SUS.
- Alguém monta as folhas do mês. No caminho tradicional, digitando no aplicativo RAAS do DATASUS tudo o que já foi anotado em outro lugar.
- O arquivo é importado no SIA do município, que confere contra o cadastro do CNES e o orçamento da FPO.
- O SIA gera a remessa que vai para o Ministério com o restante da produção ambulatorial.
O passo 2 é onde mora o retrabalho. Quando o CAPS já registra no PEC, digitar de novo no aplicativo é fazer o mesmo trabalho duas vezes — e as duas versões raramente batem.
Por que a produção registrada protege o custeio
O CAPS habilitado recebe custeio mensal do Ministério, e esse custeio depende de o serviço aparecer funcionando nos sistemas de informação. A Resolução CIT 36/2018 autorizou suspender o repasse de serviços habilitados que não apresentassem produção registrada; no mesmo ano, a Portaria 3.659 suspendeu o custeio de 72 CAPS por esse motivo.
O ponto é simples: um CAPS que atende e não informa, para o Ministério, é um CAPS parado. E folha rejeitada no SIA conta como folha que não foi enviada.
Rejeição não é só erro de digitação.
O SIA muda de versão ao longo do ano e passa a exigir o arquivo de outro jeito. Uma competência inteira pode voltar com erro de estrutura por causa da versão instalada no município — e quem olha só o relatório de rejeição conclui que o arquivo estava errado.
Onde o RAAS costuma voltar com erro
- Atendimento finalizado sem o código do CAPS. O PEC registra sozinho uma consulta da atenção básica, que o RAAS não aceita — e o atendimento se perde.
- Paciente sem CNS válido. O SIA identifica a folha pelo Cartão Nacional de Saúde; sem ele, o usuário não entra.
- Endereço incompleto. Sem município no cadastro o paciente fica fora do arquivo; CEP ausente, malformado ou que não existe nos Correios é criticado.
- CID que não serve para o procedimento. O diagnóstico precisa ser um dos aceitos pelo SIGTAP para aquela ação.
- Profissional ou serviço fora do CNES. O que não está no cadastro do estabelecimento não fatura.
- Procedimento sem orçamento. Ação que o município não programou na FPO é criticada, mesmo com a folha certa.
- O que foi feito e o que foi digitado não batem. Quando a fonte é o papel, a produção do mês depende de quem transcreveu.
Guia gratuito: boas práticas de registro no CAPS
O arquivo só sai certo se o registro sair certo na ponta. Reunimos num guia de quatro páginas o código de cada ação do CAPS, onde registrá-la no PEC e para qual arquivo ela vai — RAAS, BPA-I ou BPA consolidado —, os códigos que não devem ser usados e um checklist para antes de finalizar o atendimento. Tem um resumo de uma página para deixar perto do computador.
Baixar o guia (PDF, 4 páginas)
RAAS direto do PEC
Num CAPS do interior paulista que digitava a produção a partir de papel, a competência de agosto de 2026 foi gerada a partir do que a equipe registrou no PEC e importada no SIA com o cadastro e o orçamento reais do município: 331 folhas gravadas, nenhuma rejeitada. A única crítica foi um procedimento que o município não havia orçado na FPO — ajuste de programação, não de arquivo.
Antes de gerar, a lista do que corrigir
O que costuma voltar do SIA aparece antes, na tela. Para o período e a unidade escolhidos, o painel mostra quantas folhas têm cada problema — CID ausente ou inválido, município ausente, CEP malformado ou inexistente na base dos Correios, raça/cor inválida, CNS ou CPF não cadastrado, profissional sem vínculo no CNES — e, em cada um, a lista dos pacientes para corrigir no PEC, exportável em Excel.


O CID sai do próprio atendimento: da avaliação registrada ou da lista de problemas do paciente. Quando não há CID aceito, o município pode cadastrar um CID padrão por procedimento — e o painel avisa quem ficaria com o CID em branco.

BPA e RAAS sem digitação, no Painel BRSUS.
O painel monta o RAAS da atenção psicossocial a partir do que o CAPS registra no PEC, no padrão do SIA, pronto para importar — e aponta antes o que o SIA criticaria, paciente por paciente. O que foi atendido é o que vai para o Ministério.
Conheça o Painel BRSUSLeia também: PEC e-SUS: o que é, como funciona e o que muda na nuvem.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre BPA e RAAS?
O BPA registra procedimentos; o RAAS registra o acompanhamento de cada usuário no mês, com diagnóstico e ações. No CAPS, as ações de atenção psicossocial vão no RAAS.
Quem precisa enviar RAAS?
Os serviços da atenção psicossocial, como os CAPS. A produção é importada no SIA do município, que gera a remessa ao Ministério.
Paciente sem CNS pode entrar no RAAS?
Não. O SIA identifica a folha pelo Cartão Nacional de Saúde. Atualizar o cadastro do usuário é o primeiro passo.
O CAPS precisa usar o PEC e-SUS?
Para o Painel BRSUS gerar o RAAS, sim: o arquivo sai do que a equipe registra no PEC. O que não for registrado lá não aparece.
Quanto custa?
O investimento varia conforme o porte do município e os módulos contratados. Entre em contato e agende uma demonstração.
